Plano Safra vem aí: veja o que já se sabe sobre juros e recursos

Ainda não é o Plano Safra que o agronegócio queria, mas terá pequenas inovações, sintetizou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em maio. Segundo ela, atualmente, o crédito agrícola oficial representa apenas um terço do necessário para o setor, que acaba sendo obrigado a recorrer a recursos próprios e tradings.

O deputado federal José Mário Schreiner (DEM-GO), membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), adiantou que o volume de recursos ficaria aquém do esperado pelos produtores, mas que seria “o melhor que o governo poderia lançar no momento”. Se mantidos os planos de Tereza Cristina, os recursos destinados à agricultura empresarial (pequenos, médios e grandes) devem ficar em torno de R$ 194 bilhões. Segundo economistas consultados pelo Canal Rural, as taxas devem ficar entre 4,6% e 6% para pequenos e médios e de 7,5% e 9% para os grandes. A ministra já declarou que a pasta da Economia liberou R$ 10 bilhões para equalização de juros.

Representantes do setor agropecuário que participaram de reuniões para a construção do Plano Safra escutaram de membros do Mapa que a intenção era manter as atuais taxas de juros da pequenos e médios produtores.

O relator do Projeto de Lei no Congresso Nacional (PLN 4) que liberou crédito extra para o governo, deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), disse que o Pronaf receberia 31% mais nesta safra — solicitação feita a ele por representantes do setor produtivo. Na temporada 2018/2019, o segmento contou com R$ 31 bilhões.

Entre as novidades já anunciadas, está a inclusão da aquicultura e pescano programa. O secretário responsável pela pasta no Ministério da Agricultura (Mapa), Jorge Seif Junior, afirmou que, com os recursos, pescadores poderão investir na renovação de barcos e na compra de equipamentos mais modernos.

Promessa para o seguro rural

Durante a Agrishow, o presidente Jair Bolsonaro anunciou R$ 1 bilhão para o seguro rural do Plano Safra 2019/2020. Caso se confirme, a verba seria o dobro da ofertada na temporada 2018/2019, aproximadamente R$ 440 milhões — o governo havia anunciado R$ 600 milhões, mas foi obrigado a contingenciar por problemas na economia.

Tereza Cristina já vinha defendendo o aumento dos recursos para resguardar os produtores em caso de prejuízos na safra, principalmente quando provocados por mudanças climáticas e, assim, atender a um número maior de beneficiários.

Diversificando fontes de crédito

A ministra quer ampliar o mercado de crédito agrícola, com seguro suficiente para baratear o financiamento de médios e pequenos produtores e dar opção aos grandes.

Isso pode ser importante já que, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), as tradings podem diminuir o volume de crédito ofertado nesta safra. De acordo com a o presidente-executivo da entidade, André Nassar, além de muitos produtores estarem deixando para vender com prazo menor, em função da certeza dos preços da tabela do frete, o aumento no número de pedidos de recuperação judicial tem deixado os financiadores em alerta.

A ministra deixou claro que quer rever o modelo de crédito rural do Brasil, mas que a mudança precisa ser gradual. “Esperamos que no ano que vem tenha mais (mudanças), para diminuir o spread bancário, tirar o ‘sócio oculto’ da agricultura. Queremos migrar para um modelo de gestão de risco”, contou.

 

 

 

 

Fonte:Canal Rural

By | 2019-06-14T09:34:17-03:00 junho 14th, 2019|Agronegócio, Brasil, Economia, Governo|0 Comentários